Então eu lembro, mas não lembro se isso foi no começo de tudo ou se ainda está no final de tudo. Eu lembro de estar caída em um túnel muito escuro; era muito difícil enxergar dentro dele, mas mesmo assim eu sabia que no meio do escuro haviam coisas que se mexiam. Havia também uma luz distante, algo no fundo de mim sussurrava para que eu corresse até lá ao mesmo tempo que outro sussurro rouco me prendia ao chão.
Eu lembro da água mansa me segurando, eu estava deitada nessa água e ela parecia tão confortável que eu mal conseguia pensar.
E se não penso, logo não existo.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
E então reticências
Quanto mais eu vivo, mais grita o coração em meu peito. Grita de dor e de alegria, grita louco, grita rouco, grita sem que ninguém o escute, grita em silêncio, mas não deixa de gritar. Grita.
E eu troco as datas, me atraso, mas daquele dia não me permito esquecer. Gritei.
Se eu pudesse compartilharia meu coração, faria com que os outros também pudessem sentir como ele é lá no fundo e tudo aquilo que sente.
Que maravilha e que desgraça seria...
Sei que não posso e já que não posso pelo menos te aconselho: "faça gritar mais alto".
Você não verá mudança alguma se não arriscar o primeiro passo, se não se jogar das alturas.
Um pêndulo. De um lado para o outro por alguns segundos, "de um lado para o outro" que se eternizaram em meu coração.
E o que pensar na queda?
Reticências.
E eu troco as datas, me atraso, mas daquele dia não me permito esquecer. Gritei.
Se eu pudesse compartilharia meu coração, faria com que os outros também pudessem sentir como ele é lá no fundo e tudo aquilo que sente.
Que maravilha e que desgraça seria...
Sei que não posso e já que não posso pelo menos te aconselho: "faça gritar mais alto".
Você não verá mudança alguma se não arriscar o primeiro passo, se não se jogar das alturas.
Um pêndulo. De um lado para o outro por alguns segundos, "de um lado para o outro" que se eternizaram em meu coração.
E o que pensar na queda?
Reticências.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Tempo que trauteia.
Dilúculo. O começo do dia é um prólogo. Um encontro com um céu inexplorado. Veio de fora um cheiro cheio de vida e de dentro veio a minha liberdade gritando; e são nessas horas tão raras que você sabe - com a mais pura certeza - que vai viver para sempre.
06:10 foi o nosso horário. Antes do Sol. Apenas nós. E tanto tempo se passa sem que sequer perceba o quanto a vida está viva. A vida está tão viva.
E não se pode esperar que o tempo espere. Ele simplesmente não espera.
E num piscar de olhos...
06:10 foi o nosso horário. Antes do Sol. Apenas nós. E tanto tempo se passa sem que sequer perceba o quanto a vida está viva. A vida está tão viva.
E não se pode esperar que o tempo espere. Ele simplesmente não espera.
E num piscar de olhos...
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
Não me despeço daquilo que continuo amando.
Uma semana inteira se passou. Mais uma, uma a mais, uma a menos, lenta ou rápida de mais, ainda não sei de nada disso e é “rotina” - penso eu, porém quem sou para tamanha justificativa? Uma semana inteira se passou sem você.
A falta não veio quando recolhi as migalhas deixadas na garagem, nem quando nos primeiros dias notei a ausência de seus longos miados nas madrugadas. A falta real chegou tão tranqüila, que mesmo evitando-a, despercebi. Já estava ali. Cadê meu gatinho? De repente, me peguei abrindo a janela e chamando por seu nome, sem respostas. A falta tomou seu lugar.
Como dolorosamente aprendi que tudo na vida passa, sei que de pouquinho em pouquinho não esperarei mais te encontrar em minhas pernas, enroscando-se pacientemente. Sei que a sua lembrança não me trará lágrimas, mas apenas os sorrisos que deixou com tudo o que fez. Sei que a vida me cobrirá com novos encantos, com novos amores, com novas emoções. Mas como poderia eu esquecer de cada carinho que me deu? Do motorzinho ligado e o coração batendo em meu colo? Talvez sua jornada tenha outro rumo agora, foi de repente e me deixou calada, mas não esquecerei do focinho gelado, da persuasão charmosa, do seu jeitinho autêntico para viver entre os humanos. Eu não esquecerei jamais de seu nome e de cada partezinha do seu ser.
Muito obrigada por me encontrar naquela tarde e por aceitar passar esse tempo comigo. Você me encontrou, me adotou, cuidou de mim. Papel cumprido, foi embora do jeito que o vi pela primeira vez, como que surgido do nada, bem como os gatos fazem.
A falta não veio quando recolhi as migalhas deixadas na garagem, nem quando nos primeiros dias notei a ausência de seus longos miados nas madrugadas. A falta real chegou tão tranqüila, que mesmo evitando-a, despercebi. Já estava ali. Cadê meu gatinho? De repente, me peguei abrindo a janela e chamando por seu nome, sem respostas. A falta tomou seu lugar.
Como dolorosamente aprendi que tudo na vida passa, sei que de pouquinho em pouquinho não esperarei mais te encontrar em minhas pernas, enroscando-se pacientemente. Sei que a sua lembrança não me trará lágrimas, mas apenas os sorrisos que deixou com tudo o que fez. Sei que a vida me cobrirá com novos encantos, com novos amores, com novas emoções. Mas como poderia eu esquecer de cada carinho que me deu? Do motorzinho ligado e o coração batendo em meu colo? Talvez sua jornada tenha outro rumo agora, foi de repente e me deixou calada, mas não esquecerei do focinho gelado, da persuasão charmosa, do seu jeitinho autêntico para viver entre os humanos. Eu não esquecerei jamais de seu nome e de cada partezinha do seu ser.
Muito obrigada por me encontrar naquela tarde e por aceitar passar esse tempo comigo. Você me encontrou, me adotou, cuidou de mim. Papel cumprido, foi embora do jeito que o vi pela primeira vez, como que surgido do nada, bem como os gatos fazem.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Tinta na paleta, paleta na tinta.
O céu é azul, mas o azul do céu que eu vejo é tão doce...
Suave no tato, criança nos olhos, eterno na alma.
Eu gostaria ousadamente de saber se todos os azuis são iguais. Pois, pergunto-me agora - com calma e sem rimas - quem poderia garantir que o azul de outra pessoa não é o dourado de meu Sol?
E se for, não complico e mesmo assim te digo que o céu é azul, mas o azul do céu que eu vejo é tão doce...
Suave no tato, criança nos olhos, eterno na alma.
Eu gostaria ousadamente de saber se todos os azuis são iguais. Pois, pergunto-me agora - com calma e sem rimas - quem poderia garantir que o azul de outra pessoa não é o dourado de meu Sol?
E se for, não complico e mesmo assim te digo que o céu é azul, mas o azul do céu que eu vejo é tão doce...
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Sépia.
Escuto minhas antigas valsas. Escuto até extrair o sangue incolor que precisava tanto. Salga minha boca.
Mas eu não posso escrever sobre o que vejo, não sei descrever, não sei o que é. Eu olhei para fora da janela até que as luzes da cidade e as do céu acendessem. Uma por uma. Um pedido e um adeus, um começo e um fim. E fica bem claro pra mim que eu não posso fazer o dia clarear novamente.
Fotografias caídas no chão estão pedindo: "onde está minha mente?" e eu me pergunto: "onde está minha mente?"
Eu giro e olho pro mesmo lugar mas tudo parece envelhecido, antigo, amarelado. Porém ainda não em preto e branco, ainda não. Apenas sépia. Como uma canção de ninar que quer ser cantada.
Finalmente cantei.
Mas eu não posso escrever sobre o que vejo, não sei descrever, não sei o que é. Eu olhei para fora da janela até que as luzes da cidade e as do céu acendessem. Uma por uma. Um pedido e um adeus, um começo e um fim. E fica bem claro pra mim que eu não posso fazer o dia clarear novamente.
Fotografias caídas no chão estão pedindo: "onde está minha mente?" e eu me pergunto: "onde está minha mente?"
Eu giro e olho pro mesmo lugar mas tudo parece envelhecido, antigo, amarelado. Porém ainda não em preto e branco, ainda não. Apenas sépia. Como uma canção de ninar que quer ser cantada.
Finalmente cantei.
domingo, 2 de outubro de 2011
Meu coração
partiu em mil pedacinhos quando eu coloquei meus pés no chão outra vez...
Eu posso dizer que tudo começou com o espelho que joguei fora, mas eu estaria sendo breve de mais... a verdade é que tudo começou quando pensaram em mim pela primeira vez, tudo começou quando o Escritor colocou a primeira letra maiúscula no papel e me escreveu.
Então, na incontável vez que me sinto recém nascida, eu paro um pouco, paro para me sentir e sentir o universo que flui em minhas veias, palpita em meu peito. Eu já ouvi falar de sentimentos, mas concluo que nenhum deles pode ser nomeado ou descrito. Eles nunca são os mesmos, não esperam que você os entenda.
Lembro que comi um biscoito da sorte, eu já o temia. Temia muito antes de me dar conta que não acredito em sorte, temia a ordem na qual ele estava escrito.
"Inundações são passageiras. Períodos extraordinários também".
Dói um pouco, mas quando passa eu percebo que é uma dor saudável e é tão inevitável quanto estar vivo.
Adormeci no tempo e no espaço, partes de mim já não sei onde foram parar. Mas é tão bom quando finalmente elas se tornam independentes o suficiente para irem para longe de você e fazerem parte da vida de outras pessoas.
O tempo vai passar e você vai virar apenas uma lembrança bonita guardada na minha caixinha de memórias. Mas não fique triste, não fico.
Ficará lá para sempre, dançando junto com o tic tac do meu coração.
Eu posso dizer que tudo começou com o espelho que joguei fora, mas eu estaria sendo breve de mais... a verdade é que tudo começou quando pensaram em mim pela primeira vez, tudo começou quando o Escritor colocou a primeira letra maiúscula no papel e me escreveu.
Então, na incontável vez que me sinto recém nascida, eu paro um pouco, paro para me sentir e sentir o universo que flui em minhas veias, palpita em meu peito. Eu já ouvi falar de sentimentos, mas concluo que nenhum deles pode ser nomeado ou descrito. Eles nunca são os mesmos, não esperam que você os entenda.
Lembro que comi um biscoito da sorte, eu já o temia. Temia muito antes de me dar conta que não acredito em sorte, temia a ordem na qual ele estava escrito.
"Inundações são passageiras. Períodos extraordinários também".
Dói um pouco, mas quando passa eu percebo que é uma dor saudável e é tão inevitável quanto estar vivo.
Adormeci no tempo e no espaço, partes de mim já não sei onde foram parar. Mas é tão bom quando finalmente elas se tornam independentes o suficiente para irem para longe de você e fazerem parte da vida de outras pessoas.
O tempo vai passar e você vai virar apenas uma lembrança bonita guardada na minha caixinha de memórias. Mas não fique triste, não fico.
Ficará lá para sempre, dançando junto com o tic tac do meu coração.
sábado, 10 de setembro de 2011
3x4
Caiu. Despencou.
Um pedacinho do céu estava bruxuleante logo ali, como um passarinho que caiu do ninho e sobreviveu. Aparentemente só eu o vi, o resto do mundo estava ocupado de mais com as coisas de seus próprios labirintos interiores.
O céu me olhava inquieto, com sua respiração ofegante. Não me respondeu quando eu perguntei se tinha se machucado. Abria os braços com força - não sei se eram braços, mas imaginei que fossem – como se estivesse implorando por um abraço. Partiu meu coração, pois quase chovia ao fazê-lo!
Insignificância - pensei eu quando me ajoelhei ao lado do céu. Eu e ele.
O abracei por um ou dois minutos, talvez horas, não lembro.
Ele então subiu, subiu pra tão alto que de repente não sabia mais se ainda o via ou era apenas minha imaginação. Lá em cima me agradeceu tirando o chapéu, piscou de leve. Uma pecinha de quebra-cabeças encaixada. Quando o maior sorriso do mundo todo se abriu naquele dia ninguém viu. Mas eu vi.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Desconheci alguém.
O nome dele não sei, ele o esconde muito bem.
Ele usa um chapéu velho e azul e carrega sempre um espelho no bolso - precisa constatar de instante em instante que está vivo e que o rosto que conhece ainda é o mesmo.
Por dentro, seus pulsos cortados algumas três ou quatro vezes. Por dentro, medo e perigo transpostos.
Por fora, bonitos olhos de plástico.
Já queimou tantas vezes seu próprio amor, que está distorcido. Acabou...
Perambula no meio das ruas, perdido. Se foi.
Ele usa um chapéu velho e azul e carrega sempre um espelho no bolso - precisa constatar de instante em instante que está vivo e que o rosto que conhece ainda é o mesmo.
Por dentro, seus pulsos cortados algumas três ou quatro vezes. Por dentro, medo e perigo transpostos.
Por fora, bonitos olhos de plástico.
Já queimou tantas vezes seu próprio amor, que está distorcido. Acabou...
Perambula no meio das ruas, perdido. Se foi.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Meu barquinho de papel.
Navegando pelo oceano...
Com um beijinho depositei todos os meus sonhos, toda minha confiança navega junto com ele.
E navega, navega.
E navega, navega.
Ora para longe... mas sempre perto de mim. Pode ser que seu externo seja apenas papel, mas seu interno é infinito, serve todos nós.
Eu sei que o oceano vez ou outra torna-se turbulento, vez ou outra pretende me derrubar. Mas sempre estarei em segurança.
Mergulho, flutuo, tanto faz.
Sei que jamais irei me afogar.
![]() |
| Feliz aniversário papai e obrigada por tudo! |
Oh não, meu barquinho de papel nunca deixará que eu me afogue!
sábado, 20 de agosto de 2011
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
metade desigual.
Desta vez, quando a chuva passou, cada pedaço meu espalhou-se pelo mundo, revivi em todo lugar, qualquer lugar.
Me liberto de novo, cem vezes ao dia, todo dia. Estou vendo um pequeno milagre interior e milhares que aos poucos nascerão ali fora!
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
OVO!
"Invente nomes absurdos então!" - disseram os seres vivos da minha consciência. "De qualquer forma você não tem lógica nenhuma. O que te dizem externamente é inválido, escute o que eles falam por dentro, onde o coração grita e é necessário fechar bem os olhos para imaginar cada palavra, sentir cada sentimento. Encha isso daqui com vírgulas ou coloque reticências de uma vez".
Mudar de rota.
Pare de buscar a solução ao Norte - sempre ao Norte.
Os pesadelos que tive me influenciam a suspeitar que algo com você está errado. Você se perdeu, sem nem ao menos perceber. Veleidade.
Não é o único. Já perguntou a si mesmo quantos rostos confusos e mentes perdidas você vê em apenas um dia? Solitários, seguem sempre o mesmo rumo. Mesmo que uma mentira os cubra inteiramente, a bússola em suas mãos está sempre ali: persistente ao empurrar o ponteiro que indica o Norte.
Quebre a bússola.
Os pesadelos que tive me influenciam a suspeitar que algo com você está errado. Você se perdeu, sem nem ao menos perceber. Veleidade.
Não é o único. Já perguntou a si mesmo quantos rostos confusos e mentes perdidas você vê em apenas um dia? Solitários, seguem sempre o mesmo rumo. Mesmo que uma mentira os cubra inteiramente, a bússola em suas mãos está sempre ali: persistente ao empurrar o ponteiro que indica o Norte.
Quebre a bússola.
domingo, 7 de agosto de 2011
zero caracteres depois de um milhão de ideias
Escrever e apagar, uma lei qualquer que a escrita nos impõem.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
lararí-larará
Então eu me encontro no meio de multidões; multidões de cores, de gestos, de sabores, exalando culturas, multidões de loucuras.
E eu também sou multidão, faço parte do barulho, faço minha parte como um, única. Alguém na multidão!
Tenho marcas permanentes e sorrisos... alguns roubados!
Obrigada Criador!
quinta-feira, 7 de julho de 2011
teu século
Um século e você permanece o mesmo: risadas de bolhas, roupas de limo e todos os dentinhos de leite.
Desde o meu primeiro riso, desde meu primeiro sonho e ainda posso escutar o conhecido cocoricar - vitorioso e brilhante como Nunca!
E agora, mesmo que eu não voe mais, mesmo que te assuste quando você de repente se lembrar que eu continuo crescendo; a janela no fundo do meu peito permanecerá aberta por você. Te esperarei em cada primavera, Peter Pan!
Desde o meu primeiro riso, desde meu primeiro sonho e ainda posso escutar o conhecido cocoricar - vitorioso e brilhante como Nunca!
E agora, mesmo que eu não voe mais, mesmo que te assuste quando você de repente se lembrar que eu continuo crescendo; a janela no fundo do meu peito permanecerá aberta por você. Te esperarei em cada primavera, Peter Pan!
sábado, 2 de julho de 2011
De sempre em sempre,
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