sábado, 31 de março de 2012

sexta-feira, 9 de março de 2012

Dois olhos feitos de carvão.

Eu encontrei um mapa envelhecido e chamei por você em cada labirinto dentro de mim. Um tesouro abstrato. Eu desenhei cada traço seu, cada segredo no cantinho do seu sorriso.  Eu não vou me aprisionar e me torturar se você não puder vir comigo. Não vou perder a razão ao encontrar a sua.
Mas se você for um pássaro, meu amor... então eu sou um pássaro também.

domingo, 4 de março de 2012

Que são os sonhos, senão pontinhos de luz que se criam na alma fazendo com que os passarinhos voem cheios de esperança dos seus ninhos pela primeira vez?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Fora da estrada.

Você nunca se casou, você nunca teve aquele bebê.
Você amou muito e sofreu pelas sombras.
Algumas vezes, abriu e fechou todas as portas e fez todos os passos da sua rotina e mesmo assim nenhuma palavra saiu da sua boca.
Mas será que ao menos uma vez te perguntaram se, por um acaso, não é exatamente assim que você gostaria de viver?

sábado, 11 de fevereiro de 2012

"era vidro e se quebrou"

Menininha não deixe que seu sentimento caia assim, como as folhas caem no outono.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Escute, entenda, absorva.

Nasci nua e louca.
Meu sorriso é o mesmo de cem anos atrás; mas os motivos para sorrir mudam de tempos em tempos. Quero que observe meus lábios deixando bem claro o aviso que te dou agora: a próxima vez que você tentar me aprisionar, você conhecerá um exército de mim.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sem fuso horário...

Ignoro completamente a ideia de meu relógio estar com os ponteiros diferentes do seu.
Não existo mais sozinha; sou só metade sem a outra metade.
"Um bonito mistério” – penso eu, - “um dos mais bonitos que eu poderia ter”.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Para nós, canon in d major.

Conheço bem esse tumulto, só não me recordava como eu também me sentia tão tumultuada.
Começos e finais, meu coração bate como as asas de uma borboleta - ora alegre, ora melancólico, rápido e com pausas.
Primeira folha do novo calendário, um novo ano amanhecendo sem horas, sem bússolas, sem meteorologia ou astrologia. Mas com cem promessas, o que é a eternidade se não um tempo suficiente?
O amor é a resposta para as milhares de perguntas que existem dentro de mim, não há uma combinação de palavras que eu possa usar, apenas acontece. O mar não me deixa ir embora, não me deixa ir embora de Você. Foi ele que nos escolheu?
Eu imaginava que minhas memórias seriam todas diferentes do que são, mas agora está tudo feito, tudo muito melhor do que nos contos de fadas que me contavam. Por isso eu fecho os meus olhos, dia e noite construímos um reino, somos feitos de sonhos e tudo mais que possa ir além de apenas uma vida. 
Em silêncio me escrevo e Te escrevo e então jogo no mar, porque somos um eterno segredo. Eternizamos um para o outro.
E sem letra alguma escutamos a melodia e ela fala tão alto neste começo de vida que eu me apaixono para sempre.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Epítome.

Eu amo com todas as minhas forças aquilo que eu crio.
Mas não me culpe, pois cada pai e cada mãe não ama ou pelo menos deveria amar seu filho com todo o coração?  
Eu te amo e eu sofro. Eu faço de tudo para continuar crendo, mas eu sei no fundo da minha alma que quando o inverno chegar novamente – e ele sempre chega - eu deixarei de te amar e você irá embora. Ainda não conheço o inverno que te levará.

Diga-me: existem muitos?
Perdoe-me pela indecisão, mas sofro o excesso e sofro a falta. Sem equilíbrio, por isso choro.
- Eu não vou chorar. – prometi. Mas mal sabia eu o quanto vinha com uma força brutal àquela ânsia e urrava em meu peito e todas as angustias queriam exorcizarem-se por si próprias. Mal sabia eu que mais uma guerra estava por começar...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Fortuna, infortuna.

Alguns querem te usar, alguns querem ser usados. Alguns querem me usar, alguns querem ser usados por mim. Uso ou me deixo usar? Morro ou faço viver?

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Então eu lembro, mas não lembro se isso foi no começo de tudo ou se ainda está no final de tudo. Eu lembro de estar caída em um túnel muito escuro; era muito difícil enxergar dentro dele, mas mesmo assim eu sabia que no meio do escuro haviam coisas que se mexiam. Havia também uma luz distante, algo no fundo de mim sussurrava para que eu corresse até lá ao mesmo tempo que outro sussurro rouco me prendia ao chão.
Eu lembro da água mansa me segurando, eu estava deitada nessa água e ela parecia tão confortável que eu mal conseguia pensar.
E se não penso, logo não existo
.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

E então reticências

Quanto mais eu vivo, mais grita o coração em meu peito. Grita de dor e de alegria, grita louco, grita rouco, grita sem que ninguém o escute, grita em silêncio, mas não deixa de gritar. Grita. 
E eu troco as datas, me atraso, mas daquele dia não me permito esquecer. Gritei.
Se eu pudesse compartilharia meu coração, faria com que os outros também pudessem sentir como ele é lá no fundo e tudo aquilo que sente.
Que maravilha e que desgraça seria...
Sei que não posso e já que não posso pelo menos te aconselho: "faça gritar mais alto".
Você não verá mudança alguma se não arriscar o primeiro passo, se não se jogar das alturas.
Um pêndulo. De um lado para o outro por alguns segundos, "de um lado para o outro" que se eternizaram em meu coração.
E o que pensar na queda?
Reticências.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Tempo que trauteia.

Dilúculo. O começo do dia é um prólogo. Um encontro com um céu inexplorado. Veio de fora um cheiro cheio de vida e de dentro veio a minha liberdade gritando; e são nessas horas tão raras que você sabe - com a mais pura certeza - que vai viver para sempre.
06:10 foi o nosso horário. Antes do Sol. Apenas nós. E tanto tempo se passa sem que sequer perceba o quanto a vida está viva. A vida está tão viva.
E não se pode esperar que o tempo espere. Ele simplesmente não espera.
E num piscar de olhos...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Com zelo.




Kiriku est petit, mais c'est mon ami,
Kiriku n'est pas grand, mais il est vaillant.

sábado, 5 de novembro de 2011

Não me despeço daquilo que continuo amando.

Uma semana inteira se passou. Mais uma, uma a mais, uma a menos, lenta ou rápida de mais, ainda não sei de nada disso e é “rotina” - penso eu, porém quem sou para tamanha justificativa? Uma semana inteira se passou sem você.
A falta não veio quando recolhi as migalhas deixadas na garagem, nem quando nos primeiros dias notei a ausência de seus longos miados nas madrugadas. A falta real chegou tão tranqüila, que mesmo evitando-a, despercebi. Já estava ali.  Cadê meu gatinho? De repente, me peguei abrindo a janela e chamando por seu nome, sem respostas. A falta tomou seu lugar.
Como dolorosamente aprendi que tudo na vida passa, sei que de pouquinho em pouquinho não esperarei mais te encontrar em minhas pernas, enroscando-se pacientemente. Sei que a sua lembrança não me trará lágrimas, mas apenas os sorrisos que deixou com tudo o que fez. Sei que a vida me cobrirá com novos encantos, com novos amores, com novas emoções. Mas como poderia eu esquecer de cada carinho que me deu? Do motorzinho ligado e o coração batendo em meu colo? Talvez sua jornada tenha outro rumo agora, foi de repente e me deixou calada, mas não esquecerei do focinho gelado, da persuasão charmosa, do seu jeitinho autêntico para viver entre os humanos. Eu não esquecerei jamais de seu nome e de cada partezinha do seu ser. 
Muito obrigada por me encontrar naquela tarde e por aceitar passar esse tempo comigo. Você me encontrou, me adotou, cuidou de mim. Papel cumprido, foi embora do jeito que o vi pela primeira vez, como que surgido do nada, bem como os gatos fazem. 

Agora parta para sua próxima aventura e quando quiser, me encontre novamente Kiriku, mesmo que em uma outra forma, me encontre...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Tinta na paleta, paleta na tinta.

O céu é azul, mas o azul do céu que eu vejo é tão doce...
Suave no tato, criança nos olhos, eterno na alma.
Eu gostaria ousadamente de saber se todos os azuis são iguais. Pois, pergunto-me agora - com calma e sem rimas - quem poderia garantir que o azul de outra pessoa não é o dourado de meu Sol?
E se for, não complico e mesmo assim te digo que o céu é azul, mas o azul do céu que eu vejo é tão doce...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sépia.

Escuto minhas antigas valsas. Escuto até extrair o sangue incolor que precisava tanto. Salga minha boca.
Mas eu não posso escrever sobre o que vejo, não sei descrever, não sei o que é. Eu olhei para fora da janela até que as luzes da cidade e as do céu acendessem. Uma por uma. Um pedido e um adeus, um começo e um fim.  E fica bem claro pra mim que eu não posso fazer o dia clarear novamente.
Fotografias caídas no chão estão pedindo: "onde está minha mente?" e eu me pergunto: "onde está minha mente?"
Eu giro e olho pro mesmo lugar mas tudo parece envelhecido, antigo, amarelado. Porém ainda não em preto e branco, ainda não. Apenas sépia. Como uma canção de ninar que quer ser cantada.
Finalmente cantei.

domingo, 2 de outubro de 2011

Meu coração

partiu em mil pedacinhos quando eu coloquei meus pés no chão outra vez...

Eu posso dizer que tudo começou com o espelho que joguei fora, mas eu estaria sendo breve de mais... a verdade é que tudo começou quando pensaram em mim pela primeira vez, tudo começou quando o Escritor colocou a primeira letra maiúscula no papel e me escreveu.
Então, na incontável vez que me sinto recém nascida, eu paro um pouco, paro para me sentir e sentir o universo que flui em minhas veias, palpita em meu peito. Eu já ouvi falar de sentimentos, mas concluo que nenhum deles pode ser nomeado ou descrito. Eles nunca são os mesmos, não esperam que você os entenda.
Lembro que comi um biscoito da sorte, eu já o temia. Temia muito antes de me dar conta que não acredito em sorte, temia a ordem na qual ele estava escrito.
"Inundações são passageiras. Períodos extraordinários também".
Dói um pouco, mas quando passa eu percebo que é uma dor saudável e é tão inevitável quanto estar vivo.
Adormeci no tempo e no espaço, partes de mim já não sei onde foram parar. Mas é tão bom quando finalmente elas se tornam independentes o suficiente para irem para longe de você e fazerem parte da vida de outras pessoas.
O tempo vai passar e você vai virar apenas uma lembrança bonita guardada na minha caixinha de memórias. Mas não fique triste, não fico.
Ficará lá para sempre, dançando junto com o tic tac do meu coração.

sábado, 10 de setembro de 2011

3x4

Caiu. Despencou.
Um pedacinho do céu estava bruxuleante logo ali, como um passarinho que caiu do ninho e sobreviveu. Aparentemente só eu o vi, o resto do mundo estava ocupado de mais com as  coisas de seus próprios labirintos interiores.
O céu me olhava inquieto, com sua respiração ofegante. Não me respondeu quando eu perguntei se tinha se machucado. Abria os braços com força - não sei se eram braços, mas imaginei que fossem – como se estivesse implorando por um abraço. Partiu meu coração, pois quase chovia ao fazê-lo!
Insignificância - pensei eu quando me ajoelhei ao lado do céu. Eu e ele.
O abracei por um ou dois minutos, talvez horas, não lembro.
Ele então subiu, subiu pra tão alto que de repente não sabia mais se ainda o via ou era apenas minha imaginação.  Lá em cima me agradeceu tirando o chapéu, piscou de leve. Uma pecinha de quebra-cabeças encaixada. Quando o maior sorriso do mundo todo se abriu naquele dia ninguém viu. Mas eu vi.